PRÓLOGO
Olá, eu sou a Olivia Stevens, vivo em Wilmington, que é dos sítios mais maravilhosos que conheço. Tenho vinte e cinco anos e estou perdidamente apaixonada pelo meu melhor amigo, que por acaso é meu namorado. Estava deitada na cama de rede, enquanto ele, deitado no chão, fitava as centenas de estrelas que se reflectiam na água límpida do lago. Não sei muito bem porquê, mas não conseguia desviar os meus olhos dele.
Foi então que os nossos olhares se tocaram.
- Porque é que estás a olhar assim para mim?
Eu não fazia a mais pequena ideia, mas não fazia parte dos meus planos desviar o olhar.
Ele olhou para a frente e voltou a olhar para mim, pensativo. Os seus olhos azuis reflectiam a enorme lua cheia que se equilibrava em cima das nossas cabeças.
- O que é que tu vês em mim?
Fiquei surpresa com aquela pergunta, Jason era definitivamente atraente, os seus enormes olhos azuis brilhavam constantemente, o cabelo loiro fazia um contraste perfeito com a pele bronzeada e era das melhores pessoas que eu jamais conhecera.
Conhecia-o desde que me lembrava, fizemos todo o percurso escolar juntos, éramos vizinhos e passávamos tardes e noites na companhia um do outro. Até que eu entrei na HCC, na Flórida e, praticamente deixámos de nos ver e de nos falar.
Quando regressei a casa, após três anos, Jason estava irreconhecível e era agora dos homens mais bonitos que eu já vira, não que anteriormente fosse feio, ou coisa que se parecesse.
- Vejo tudo aquilo com que sempre sonhei.
Ele levantou-se e pegou em mim ao colo habilmente.
- Ei, então? - disse soltando uma gargalhada.
- Tenho de mostrar-te uma coisa.
Caminhou, carregando-me, até parar à frente da porta de uma pequena casa. Era uma casa típica de Wilmington, com um telhado triangular e um pequeno alpendre iluminado por um simples candeeiro.
Começou novamente a andar e abriu a porta da casa. Pousou-me no chão e estendeu o braço para a frente, fazendo-me sinal para entrar. Assim que passei a soleira da porta senti um forte cheiro a incenso.
Atravessou a entrada e desapareceu por uma porta fazendo-me sinal para que o seguisse, quando atravessei a sala fiquei boquiaberta. Naquela sala, encontrava-se uma elegante mesa cuidadosamente decorada com velas, pétalas de rosa e incenso, na qual se dispunham dois lugares.
Ia perguntar a Jason o que era tudo aquilo, quando este se ajoelhou e tirou uma pequenina caixa de dentro do bolso do casaco.
Ele abriu a pequenina caixa de veludo e tirou de lá de dentro um cartão, que me entregou.
Lá apenas estava escrito: " Ei então, ainda queres casar comigo?".
Olhei para ele atónita, ainda não acreditava que ele se lembrasse daquela conversa… Uns anos antes, tinha-lhe dito que tinha a certeza que um dia ainda nos havíamos de casar e ter muitos filhos, uma brincadeira, como é evidente, éramos novos, namorávamos há um ano e tínhamos a vida toda pela frente, mas no fundo, era mesmo aquilo que eu desejava, naquele momento só sonhava que Jason fosse o pai dos meus filhos e meu companheiro até envelhecer, tal como agora.
Os olhos dele espelhavam incompreensão.
- Oh meu amor, claro que caso. Sim, sim e sim!!
Ele abraçou-me e pegou em mim tão rápido que pensei que íamos cair os dois no chão. Depois de me beijar perguntou-me:
- E que tal, gostas da nossa casa?
- Estás a brincar! - será que eu ainda podia ficar mais surpreendida naquela noite.
- Não, não estou. Falei com os teus pais e eles concordaram que já era hora de avançarmos para a fase seguinte, estamos juntos há dois anos e eu tenho a certeza absoluta de que é contigo que quero passar o resto da minha vida, é contigo que quero casar, viver, ter filhos, envelhecer, ter netos, isso tudo meu amor. Quero que faças parte da minha vida até que o meu coração pare de bater, quero poder acordar todos os dias a teu lado e saber que não vais a lado nenhum, quero que fiques comigo até que o teu coração pare de bater. Olivia, eu quero casar-me contigo, porque tenho a certeza que és a mulher da minha vida, porque em ti eu vejo tudo aquilo com que sempre sonhei.
Não sabia o que dizer, eu estava completamente sem palavras. Inspirei lentamente e expirei, procurando as palavras certas.
- Uma vez perguntaram-me se eu sabia o que era o amor, eu respondi que não, mas que tinha a certeza que não havia qualquer maneira de explicar o que era o amor. Podia sempre ver definições, mas nunca ficaria totalmente satisfeita com a resposta. Hoje continuo sem saber explicar o que é o amor, sei que é um sentimento, sei que é muito forte, mas será que realmente preciso de saber explicar o que é, afinal, eu sei ver quando estou apaixonada por alguém, consigo perceber se amo uma determinada pessoa, para que preciso de saber a definição? Eu sei que te amo e que te vou amar sempre até ao nosso último suspiro. A única certeza que tenho é quero saborear cada momento da minha vida contigo. Amo-te Jason, e em ti vejo tudo aquilo com que sempre sonhei.
O beijo que se sucedeu a tudo isto foi talvez o beijo mais apaixonado e mais romântico que alguma vez trocámos.
- Bem, acho que já temos os votos do nosso casamento. - brinquei.
- Ah, já quase me esquecia. - Jason retirou uma segunda caixinha de veludo do mesmo bolso de que viera a primeira - Olivia Jane Stevens aceitas casar comigo?
- Sim, aceito - respondi uma segunda vez, radiante.
Pediu-me a minha mão e depois de colocar o magnífico anel de noivado no meu dedo anelar, beijou-a, uma vez, e outra, e outra, sem nunca se cansar.
Não chegamos a usufruir da bela mesa decorada com velas, pétalas de rosa e incenso, não chegámos a beber champagne, nem a comer morangos, ficamos ali, sentados no chão, horas e horas, abraçados junto à lareira a contemplar-nos um ao outro, a agradecer o amor genuíno que sentíamos um pelo outro.
A única certeza que tinha era que estava absoluta e incondicionalmente apaixonada pelo homem que me abraçava carinhosamente e que com ele ia partilhar os momentos mais importantes da minha vida,por que afinal, nele eu via tudo aquilo com que sempre sonhara.
E esta foi a noite em que aceitei casar com o Jason Hale, a noite mais feliz da minha vida.